4. BRASIL 20.2.13

1. O FILHO QUE ASSOMBRA NASCIMENTO
2. IDENTIFICADA A OSSADA DE PRETO CHAVES
3. OS HOMENS QUE VO INVESTIGAR LULA
4. ELE EST CANDIDATO

1. O FILHO QUE ASSOMBRA NASCIMENTO
Briga empresarial envolvendo a famlia de Alfredo Nascimento complica a vida do ex-ministro e ameaa a reaproximao do PR com o governo
Claudio Dantas Sequeira

 ENROLADO - Gustavo Pereira (no destaque), herdeiro do ex-ministro,  acusado de forjar prestao de contas de empreiteira da qual era scio
 
O senador e presidente do PR, Alfredo Nascimento, tem trabalhado intensamente nos ltimos dias para recuperar o espao de seu partido no governo. A legenda est sem cargos no primeiro escalo desde que o prprio Nascimento foi demitido por Dilma Rousseff, em julho de 2011, do Ministrio dos Transportes, na esteira de acusaes de irregularidades na pasta. Mas justamente um dos pivs de sua queda pode atrapalhar mais uma vez os planos de Nascimento. Trata-se de seu filho, Gustavo Pereira. Investigado pelo Ministrio Pblico Federal por suspeita de enriquecimento ilcito, aps denncia de ISTO em 2009, Pereira agora  alvo de uma nova ao. O jovem publicitrio  ao lado do advogado Adalberto Martins, amigo do ex-ministro   acusado de forjar a prestao de contas da empreiteira Forma Construo, da qual era scio. Essa empresa se notabilizou, na poca dos escndalos do Ministrio dos Transportes, por ter crescido 86.500% em apenas dois anos.
 
Aps a publicao da reportagem de ISTO, Pereira e Martins venderam suas cotas na empresa ao terceiro scio, o empresrio Silvio Queiroz Pedrosa. Desconfiado da sade financeira da empreiteira, Pedrosa encomendou uma auditoria que acabou encontrando provas de sonegao fiscal e tributria, alm de fortes indcios de fraude contbil. Nos autos do processo, Pedrosa acusa a dupla de ex-scios de maquiar a contabilidade para encobrir uma dvida de R$ 2 milhes em impostos, como PIS, Cofins e Imposto de Renda. Mas o que chamou a ateno foi uma srie de operaes suspeitas que teriam deixado um rombo superior a R$ 18,5 milhes.
 
A auditoria identificou a venda de imveis da Forma Construo a parentes e amigos de Nascimento com preo inferior ao praticado no mercado pela prpria empresa. Alm das condies vantajosas, o dinheiro que deveria ser pago por essas transaes no passou pelas contas da empresa e nem sequer foi contabilizado. O prprio Alfredo Nascimento comprou duas salas comerciais no edifcio Atlantic Tower, construdo pela Forma, por R$ 180 mil. Pagou R$ 90 mil  vista e o restante ningum viu. Na petio, Pedrosa diz que o valor de mercado dos imveis seria superior a R$ 300 mil.
 
O advogado de Gustavo, Emiliano Aguiar, rejeita as acusaes. Para ele, Pedrosa age de m-f. Ele no pagou pelas cotas do Pereira e perdeu na Justia. Est dando o troco, diz. Ele alega ainda que seu cliente cuidava do marketing e participava pouco da gesto contbil, sob responsabilidade de Martins. Mas usa o mesmo raciocnio para acusar Pedrosa. Como scio, ele sabia de todos os atos praticados. Seus poderes de administrao eram iguais, afirma.
 
A reportagem no conseguiu localizar Martins nem seu advogado para comentar o caso. Alfredo Nascimento tambm no retornou contato. O presidente do PR espera, segundo palavras dele, que o governo reconhea a importncia do partido que preside na coalizo. Mas no ser se esquivando de elucidar novos episdios suspeitos envolvendo seu nome que o ex-ministro, demitido h menos de dois anos por envolvimento com irregularidades, ter autoridade moral para recuperar seu naco de poder no consrcio governista. Da maneira como age, a chance de velhos fantasmas voltarem a assombrar o governo so imensas.


2. IDENTIFICADA A OSSADA DE PRETO CHAVES
Quatro dcadas depois da Guerrilha do Araguaia, a comisso que tenta localizar e identificar os corpos dos insurgentes do PCdoB reconhece os restos do guerrilheiro mais misterioso do conflito
Alan Rodrigues

O ex-marinheiro Francisco Manoel Chaves  o personagem mais misterioso da Guerrilha do Araguaia. Ele viveu quase toda a vida adulta na clandestinidade e morreu, aos 66 anos, emboscado na selva num combate com militares, em 1972. Alm disso, quase nada mais se sabia sobre ele, nem sequer seu local de nascimento. Supunha-se que tivesse nascido no Rio de Janeiro, mas recentemente foi confirmado que ele era mineiro. Conhecido por Preto Chaves, mas tambm chamado de Z Francisco ou Velho Chico, Francisco Chaves era um dos 163 desaparecidos polticos cuja histria ainda est em aberto, segundo estimativas da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Presidncia da Repblica.
 
As circunstncias de sua morte e sua trajetria de vida, no entanto, tm tudo para ser elucidadas a partir de agora. Depois de fazer uma srie de escavaes na regio do conflito, especificamente no velho Cemitrio de So Geraldo, peritos do Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) descobriram trs ossadas. Uma delas, que os peritos acreditam ser de um negro, foi identificada como sendo do guerrilheiro Preto Chaves. Como a investigao corre em segredo de Justia, integrantes da Comisso de Mortos e Desaparecidos Polticos do governo preferem no anunciar a descoberta oficialmente antes da concluso do processo. Mas Diva Santana, representante da comisso, admite: De fato, um dos restos mortais tem muita chance de ser do guerrilheiro Chaves, disse Diva  ISTO.

ELUCIDAO - O pesquisador Agildo Nogueira Jnior tem ajudado o governo com informaes sobre a vida de Preto Chaves. "Ningum falava sobre ele", diz.
 
A ossada atribuda a Chaves est em Braslia sob os cuidados do governo federal para anlise antropomtrica. No existe at agora nenhum indcio de que o militante comunista tenha deixado parentes para reconhec-lo a partir de exames de DNA, o que poderia facilitar o trabalho. Precisamos ainda fazer outras anlises tcnicas do caso, pois no sabemos se ele teve filhos, mulher ou qualquer outro parente, diz Svio Andrade, representante do Ministrio da Defesa no GTA.
 
Agildo Nogueira Jnior, pesquisador do Instituto Maurcio Grabois, ligado ao PCdoB,  o nico estudioso que tem ajudado o GTA com informaes sobre a vida de Preto Chaves. H alguns anos, ele levanta informaes sobre o guerrilheiro para a produo de um livro. Interessei-me pelo caso, j que quase ningum falava sobre ele. Essa cantilena de que os militares no possuem mais informaes tem atrapalhado a pesquisa, diz Jnior. Agora, com a descoberta da ossada, a apurao do pesquisador pode contribuir para o reconhecimento definitivo do corpo. Ele mostra, por exemplo, uma entrevista publicada no Jornal Opinio, de Gois, na dcada de 1990, na qual o sargento do Exrcito identificado como J. Pereira, que combateu no Araguaia, admite que seu grupo matou trs guerrilheiros. Foi tiro pra l, tiro pra c. No final, trs guerrilheiros estavam mortos, disse J. Pereira, que ainda est vivo. O sargento fez outras revelaes importantes. Ele conta que deixou os corpos dos guerrilheiros no mesmo local em que os restos mortais foram encontrados agora pelo GTA. O sargento revelou tambm que Preto Chaves carregava no peito um cordo de terec, um patu da religio afro cujo terreiro era frequentado pelo ex-marinheiro. Tnhamos informaes de que o guerrilheiro negro era considerado feiticeiro, disse J. Pereira, que se referiu ainda a uns cordes amarrados usados pelo guerrilheiro.

COMPANHEIRO - Zezinho combateu na selva ao lado de Preto Chaves no Araguaia. Ele contou que o ex-guerrilheiro frequentava terreiros de umbanda
 
A revelao do sargento sobre os cordes de terec no peito de Chaves coincide com a informao prestada pelo militante Micheas Gomes de Almeida ou Zezinho do Araguaia ao pesquisador do Instituto Maurcio Grabois. Zezinho, que conheceu e combateu na selva ao lado de Chaves, contou em 2007 que ele frequentava as sesses de umbanda na regio do conflito e que carregava o patu no peito.  ISTO, Zezinho confirmou a participao de guerrilheiros em cultos de religies afro. O Chaves participava dos terreiros. No podamos destoar do dia a dia dos moradores locais. O Joo Amazonas (principal lder do PCdoB), por exemplo, puxava um tero danado, revela Zezinho. De acordo com fontes do GTA, essas informaes so preciosas para o reconhecimento oficial do corpo de Preto Chaves.  muito pouco provvel que um guerrilheiro negro, o que era raro, fosse enterrado, naquele mesmo local, com os cordes de terec sem ser o Chaves, afirmou um dos integrantes do GTA.
 
Antes do Araguaia, h algumas informaes mais precisas sobre Chaves. Em 1935, ele participou do levante comunista contra o governo de Getlio Vargas. Preso e torturado, foi trancafiado por meses no presdio da Ilha Grande ao lado de Graciliano Ramos. O escritor faz referncia ao marinheiro em seu livro Memrias do Crcere. Na dcada de 1960, Chaves filiou-se ao PCdoB. A partir da, sua trajetria  obscura.

O episdio envolvendo Preto Chaves ilustra bem como os rgos de segurana ainda tratam as informaes sobre os ex-militantes comunistas e reforam as crticas de que os militares tm sido pouco colaborativos. At outubro do ano passado, a Marinha se recusava a tornar pblico o pronturio do ex-funcionrio e ningum do GTA tinha nenhuma informao sobre o guerrilheiro. Nem mesmo sua ficha de entrada na Marinha existia (ele entrou para a corporao militar em 1 de julho de 1928). Depois de intensas negociaes, apareceu uma tmida folha da Polcia Civil do Distrito Federal que trazia algumas informaes sobre Chaves.  inconcebvel que no exista nenhuma informao sobre a histria de um ex-militar que serviu durante 33 anos, foi expulso e chegou a receber penso. A Marinha tem a obrigao de abrir seus arquivos, defende Jnior.


3. OS HOMENS QUE VO INVESTIGAR LULA
Quem so os procuradores federais responsveis pela apurao das acusaes de Marcos Valrio contra o ex-presidente
Josie Jernimo

DUPLA AFIADA -  Integrantes do Ministrio Pblico em Minas Gerais, Adailton Nascimento ( dir.) e Jos Adrcio Sampaio ( esq.) se juntaro a Leonardo Augusto Melo na investigao contra Lula
 
Desde a quinta-feira 14, o procurador Leonardo Augusto Santos Melo, 36 anos, encontra-se no centro de um furaco poltico. Caber a ele, escolhido por sorteio, a tarefa de examinar as seis peas de acusao reunidas pelo procurador-geral da Repblica, Roberto Gurgel, contra o ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva. Sem prazo definido para desincumbir-se do trabalho, Santos Melo, que est h nove anos no Ministrio Pblico Federal de Minas Gerais, ter a palavra inicial sobre o caso. Pode pedir o indiciamento do presidente pelo crime de trfico de influncia, como admite a documentao de Gurgel. Ou escolher outro caminho, mandando arquivar o processo. Caso decida encerrar o caso, a deciso no ser definitiva, pois h a possibilidade de outro procurador pedir que o processo seja reaberto e examinado mais uma vez.
 
Ainda que o estatuto do Ministrio Pblico garanta autonomia plena a cada procurador, que no obedece a nenhuma hierarquia em seu trabalho, Santos Melo no estar sozinho em sua tarefa. Ele ser acompanhado pelo Ncleo do Patrimnio Pblico e Social do Ministrio Pblico Federal de Minas, composto por quatro procuradores. Um deles  Adailton Ramos do Nascimento, procurador-geral do Estado, que tem poderes para discutir os rumos da investigao e mesmo indicar procuradores para auxiliar no trabalho. Definido pelo deputado Mauro Pestana (PSDB-MG) como um homem ponderado, Ramos do Nascimento j foi acusado de engavetar uma investigao sobre trfico de rgos, numa iniciativa que terminou por proteger um deputado tucano.
 
Outro personagem que em breve estar por perto da instituio que vai investigar Lula  o procurador Jos Adrcio Leite Sampaio. Discpulo de Antnio Fernando Souza, autor da denncia inicial do mensalo, em 2007, Sampaio tornou-se um homem de confiana de Roberto Gurgel. Bem relacionado na poltica de Minas, sua terra natal, ele recebeu do governador Antonio Anastasia a medalha da Inconfidncia, a mais alta condecorao do governo do Estado. Com tanto poder de influncia, Sampaio  o nome mais temido pelo crculo de advogados e juristas prximos de Lula e do PT, que enxergam nesta investigao um esforo dos adversrios para manter o ex-presidente nas cordas pelos prximos anos.

Formuladas pelo publicitrio Marcos Valrio, principal operador do mensalo, as denncias contra o ex-presidente Lula so variadas. O tesoureiro disse, em depoimento oficial, que em 2003 entregou R$ 98 mil a um segurana de Lula, Freud Godoy, para auxiliar no pagamento de despesas da famlia presidencial. Tambm afirmou que na mesma poca fez uma reunio de trs minutos com Lula, no Planalto, onde o presidente deu OK aos emprstimos bancrios destinados ao PT. No posso responder a uma mentira, reagiu Lula, ao tomar conhecimento das denncias.
 
A intimidade de Marcos Valrio com o esquema financeiro teoricamente lhe d condies para dizer o que disse. Por isso, a investigao  necessria   do interesse pblico que tudo reste esclarecido. Mas, de outro lado, as circunstncias so complicadas. Em sete anos de processo, Valrio sempre fez silncio sobre qualquer envolvimento de Lula. Mudou de postura quando j no tinha como se defender num tribunal onde foi condenado a 40 anos de recluso, sem falar no que pode lhe acontecer no mensalo mineiro. Nesta situao, a delao premiada  a ltima esperana para Valrio livrar-se da cadeia. Caso seja aceito num programa de proteo a testemunhas, contar com proteo do Estado. Ganhar nova identidade e passar a residir anonimamente em local desconhecido. Esse benefcio to grande obriga considerar os dois lados da moeda: tanto a possvel veracidade dos fatos que Valrio descreve, como o eventual interesse dele em incriminar Lula de qualquer maneira.
 
A investigao sobre o mais popular poltico brasileiro ocorre num momento particularmente delicado. O calendrio poltico marca uma nova campanha presidencial, no ano que vem. Em 2013, Roberto Gurgel estar empenhado, ao longo do primeiro semestre, em fazer o sucessor num processo que comea pela indicao de trs nomes numa lista trplice. Embora a influncia de Gurgel entre a maioria dos procuradores federais seja reconhecida at pelos adversrios, a palavra final pertence  presidenta Dilma Rousseff. Cabe a ela, por lei, indicar o nome do procurador-geral a ser sabatinado pelo Senado. A presidenta pode escolher o mais votado, prtica que Lula instituiu e a prpria Dilma repetiu ao indicar Gurgel em 2009. Mas ela pode agir como o governador Geraldo Alckmin, que preferiu o segundo colocado em So Paulo. Ou mesmo pinar um nome que lhe parea mais indicado, sem ligar para a escolha dos procuradores, como fez FHC com Geraldo Brindeiro, o procurador que entrou para a histria como o engavetador da Repblica.


4. ELE EST CANDIDATO
Eduardo Campos tem se comportado como aspirante ao Planalto. Criou at um ncleo para costurar os palanques regionais. Ao mesmo tempo, no confirma a candidatura.  ISTO, o governador de Pernambuco diz que a deciso ser anunciada at janeiro de 2014
Claudio Dantas Sequeira

Nas ltimas semanas ganharam substncia as conversaes sobre a inevitvel candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos,  Presidncia. Os clamores pelo nome do socialista tm origem dentro do prprio PSB, de grande parte do empresariado e at de alguns setores do PT, incomodados com o tamanho do espao ocupado pelo PMDB no Legislativo e Executivo. Ciente do papel que  chamado a desempenhar no novo cenrio poltico do Pas, Campos pela primeira vez quebra o silncio sobre suas verdadeiras ambies.  ISTO, ele disse que seu prazo para decidir sobre concorrer ou no  sucesso da presidenta Dilma Rousseff  janeiro de 2014. A deciso vai depender do que acontecer este ano. Existir candidatura se houver espao poltico, garante Campos. A cautela  bvia. No h motivos, por enquanto, para um rompimento com o governo. Muito pelo contrrio. Para o presidente do PSB,  preciso ajudar Dilma a ganhar 2013. Este ano  estratgico para tudo o que o Brasil acumulou nas ltimas duas dcadas, em termos de democracia, estabilidade econmica e social, afirma o governador. A disputa eleitoral  legtima, mas tem hora para acontecer. Em contrapartida, no interessa politicamentea Campos descartar a candidatura. O jogo duplo  conveniente. Afinal, se at janeiro de 2014 houver mesmo espao, conforme disse  ISTO, ele precisa ter musculatura poltica e apoios suficientes para entrar na disputa em condies de ganhar.

Obedecendo a essa lgica, todos os passos de Campos pelos prximos dez meses esto sendo pensados e repensados, milimetricamente. Em encontros com aliados e empresrios, ele age como se fosse candidato, mas jamais se anuncia como tal. Foi o que ocorreu em reunio em dezembro do ano passado, em Braslia, na sede do PSB. Entendemos que ele  candidato, disse um dos participantes do encontro. Para cuidar da montagem de palanques regionais at uma espcie de estado-maior da candidatura foi criado dentro da sigla. Integram esse ncleo o senador Rodrigo Rollemberg, o vice-presidente do partido, o ex-ministro Roberto Amaral, assim como os deputados Mrcio Frana (SP), Beto Albuquerque (RS), o governador do Esprito Santo, Renato Casagrande, e o chefe de gabinete de Pernambuco, Renato Thibaut. Foi Beto, alis, quem aqueceu o debate sobre a candidatura de Campos. Na viso dele e de outros socialistas, a disputa de 2014 depende apenas da conjuno de trs fatores. Se a economia ficar estagnada, o PSDB no se firmar e a Marina Silva lanar candidatura, abre-se uma avenida enorme para o Eduardo, diz um cacique socialista. Empresas de comunicao tambm foram contratadas para projetar nacionalmente a imagem do poltico pernambucano. Nos prximos dias, sero realizadas as primeiras sondagens de popularidade fora do Nordeste. Nos bastidores, o partido vem desenhando uma agenda nacional com participao de Eduardo Campos em fruns e eventos para discutir os rumos da economia. Em suma, se o governador pernambucano ainda no  candidato, ele est candidato.
 
Mantendo a linha do jogo duplo, Campos diz que  preciso atender as bases, mas no pode deixar que a torcida comande o time. A comisso tcnica tem que saber fazer a mediao e colocar cada coisa em seu devido lugar. No captulo colocando fim aos boatos, Campos garante que no marcou nenhuma conversa com o ex-presidente Lula para tratar de eleies. Eles se falaram pela ltima vez por telefone no Natal. Emissrios do ex-presidente comentaram com ele sobre a inteno de Lula marcar um encontro, nada alm disso. O governador de Pernambuco tampouco conversou com Dilma sobre candidatura. Ela foi muito elegante. Falou da necessidade de cuidarmos da relao do PSB com o governo e o PT. Disse que encara a poltica com muita naturalidade e no deixar nada arranhar nossa amizade, afirma. Precisamos ganhar 2013 e ver o que acontece depois. Questionado sobre algum atrito que possa ter tido com Dilma, Campos silencia. Mas  fato que, aps a eleio de 2012, uma ala do PT liderada por Z Dirceu tentou convencer a presidenta a buscar um dilogo alternativo com o PSB. Ou seja, que exclusse o presidente da sigla. Obviamente, no deu certo.

OS ARTICULADORES - O senador Rodrigo Rollemberg ( esq.) e o deputado Beto Albuquerque integram o ncleo da pr-campanha de Eduardo Campos ao Palcio do Planalto
 
O que assusta alguns petistas  a capacidade de articulao de Eduardo Campos, que dialoga com toda a base aliada do governo, mas tambm com a oposio. Recentemente, foi recebido pelo governador de So Paulo, Geraldo Alckmin, de quem  amigo. Conversa frequentemente com Srgio Guerra, presidente do PSDB, que lhe passa as impresses sobre os rumos da oposio. Da mesma maneira tem a simpatia do DEM de Agripino Maia e do PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab. Ao mesmo tempo, atrai para si o PDT de Carlos Lupi e est de olho no PR e no PTB. Essa habilidade, associada aos bons resultados de sua gesto na economia de Pernambuco, atrai a curiosidade de empresrios. Campos tem recebido visitas frequentes de empreiteiros e banqueiros, inclusive amigos de Lula e do PT. Todos o questionam sobre suas pretenses polticas e alguns, mais animados, pedem que ele se lance candidato. Estrategicamente, o governador desconversa.

